{"id":12605,"date":"2025-05-29T09:10:48","date_gmt":"2025-05-29T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/?p=12605"},"modified":"2025-05-29T09:10:48","modified_gmt":"2025-05-29T12:10:48","slug":"uso-exclusivo-de-imovel-da-heranca-dever-de-indenizar-e-responsabilidade-pelo-iptu-antes-da-partilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/uso-exclusivo-de-imovel-da-heranca-dever-de-indenizar-e-responsabilidade-pelo-iptu-antes-da-partilha\/","title":{"rendered":"Uso exclusivo de im\u00f3vel da heran\u00e7a: dever de indenizar e responsabilidade pelo IPTU antes da partilha"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-719x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12606\" srcset=\"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-719x1024.jpg 719w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-211x300.jpg 211w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-768x1093.jpg 768w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-759x1080.jpg 759w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem.jpg 899w\" sizes=\"(max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 comum que, ap\u00f3s o falecimento, um dos herdeiros passe a morar sozinho em um im\u00f3vel pertencente ao esp\u00f3lio. Enquanto isso, os demais herdeiros, sem acesso ao bem, aguardam a partilha sem usufruir da propriedade. Esse cen\u00e1rio, frequente, demanda aten\u00e7\u00e3o, pois o uso exclusivo de um bem comum gera consequ\u00eancias jur\u00eddicas importantes, envolvendo o dever de indenizar e o pagamento do IPTU.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o processo de invent\u00e1rio, os bens deixados pelo falecido pertencem conjuntamente a todos os herdeiros. Assim, quando um deles ocupa um im\u00f3vel de forma exclusiva, os demais s\u00e3o privados do uso ou do rendimento que poderiam obter com esse bem. Esse desequil\u00edbrio pode ser corrigido desde que o herdeiro prejudicado adote as medidas adequadas para cobrar indeniza\u00e7\u00e3o proporcional \u2014 geralmente por meio de aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante frisar que o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasce automaticamente. \u00c9 necess\u00e1rio formalizar a cobran\u00e7a: o herdeiro que se sentir prejudicado pode notificar extrajudicialmente o outro, seja via cart\u00f3rio de T\u00edtulos e Documentos ou por carta registrada com aviso de recebimento (AR). Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel propor uma a\u00e7\u00e3o judicial de arbitramento de aluguel. A partir da notifica\u00e7\u00e3o (ou da intima\u00e7\u00e3o no processo), o herdeiro que reside no im\u00f3vel passa a ter a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar os demais mensalmente, enquanto durar a posse exclusiva. Ressalte-se que essa obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o retroage ao per\u00edodo anterior \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o, mas pode ser iniciada mesmo antes da abertura do invent\u00e1rio, configurando inclusive um obst\u00e1culo \u00e0 usucapi\u00e3o do bem pelo ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A responsabilidade termina quando o im\u00f3vel \u00e9 desocupado ou, ao final da partilha, for atribu\u00eddo exclusivamente ao herdeiro que o ocupava. At\u00e9 l\u00e1, esse dever permanece e deve ser respeitado para evitar preju\u00edzos aos demais herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, surge outra d\u00favida pr\u00e1tica: e o IPTU? Quem deve arcar com essa despesa enquanto a partilha n\u00e3o \u00e9 conclu\u00edda? O entendimento recente da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u00e9 claro: o IPTU, assim como outras obriga\u00e7\u00f5es patrimoniais, \u00e9 d\u00edvida do esp\u00f3lio. Isso significa que, mesmo que um herdeiro esteja pagando aluguel pelo uso exclusivo do im\u00f3vel, ele n\u00e3o pode ser obrigado a arcar tamb\u00e9m com o IPTU, salvo se houver acordo pr\u00e9vio e formal entre os herdeiros. Na aus\u00eancia desse acordo, o IPTU permanece d\u00edvida do esp\u00f3lio, a ser paga com recursos do acervo heredit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se esse herdeiro, que j\u00e1 paga aluguel, for compelido a pagar tamb\u00e9m o IPTU sem concord\u00e2ncia pr\u00e9via, haver\u00e1 desequil\u00edbrio, pois ele suportaria duas obriga\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas \u2014 o uso do bem e o tributo \u2014 enquanto os demais herdeiros e o esp\u00f3lio permanecem isentos. Essa situa\u00e7\u00e3o configura enriquecimento il\u00edcito dos demais, e o valor n\u00e3o pode ser descontado automaticamente do quinh\u00e3o do herdeiro que paga o aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, se outro herdeiro \u2014 que n\u00e3o reside no im\u00f3vel \u2014 assumir sozinho o pagamento do IPTU, ele somente poder\u00e1 ser reembolsado se houver autoriza\u00e7\u00e3o judicial expressa no processo de invent\u00e1rio e comprova\u00e7\u00e3o documental do pagamento. Sem essa autoriza\u00e7\u00e3o e comprova\u00e7\u00e3o, qualquer tentativa de compensa\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o ser\u00e1 reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas situa\u00e7\u00f5es exigem aten\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e estrat\u00e9gia jur\u00eddica. O herdeiro que ocupa o im\u00f3vel deve estar ciente de que o uso exclusivo gera consequ\u00eancias legais \u2014 tanto quanto ao dever de indenizar quanto \u00e0s limita\u00e7\u00f5es para o abatimento de despesas como o IPTU. J\u00e1 os herdeiros que n\u00e3o usufruem do bem n\u00e3o precisam aceitar passivamente o preju\u00edzo: \u00e9 poss\u00edvel buscar compensa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, desde que com provas e medidas adequadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, a atua\u00e7\u00e3o do advogado \u00e9 essencial para equilibrar interesses, prevenir conflitos e garantir que o patrim\u00f4nio seja partilhado de forma justa. Cada detalhe importa: a forma como as cobran\u00e7as s\u00e3o feitas, a documenta\u00e7\u00e3o apresentada e o momento das provid\u00eancias influenciam diretamente a partilha do invent\u00e1rio e a prote\u00e7\u00e3o do quinh\u00e3o de cada herdeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alexssandra Carolina &#8211; <\/strong>Advogada. Presidente da Comiss\u00e3o de Sucess\u00f5es da OAB Divin\u00f3polis. Especializada em Direito das Sucess\u00f5es e Planejamento Patrimonial, cujo objetivo \u00e9 ajudar fam\u00edlias e herdeiros a garantir um futuro seguro e tranquilo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum que, ap\u00f3s o falecimento, um dos herdeiros passe a morar sozinho em um im\u00f3vel pertencente ao esp\u00f3lio. Enquanto isso, os demais herdeiros, sem acesso ao bem, aguardam a partilha sem usufruir da propriedade. 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