{"id":13241,"date":"2025-09-24T11:05:21","date_gmt":"2025-09-24T14:05:21","guid":{"rendered":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/?p=13241"},"modified":"2025-09-24T11:05:21","modified_gmt":"2025-09-24T14:05:21","slug":"contribuicao-previdenciaria-tambem-deve-incidir-em-acordos-sem-reconhecimento-de-vinculo-empregaticio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/contribuicao-previdenciaria-tambem-deve-incidir-em-acordos-sem-reconhecimento-de-vinculo-empregaticio\/","title":{"rendered":"Contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria tamb\u00e9m deve incidir em acordos sem reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/barbara-1024x1001.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13242\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos acordos trabalhistas, uma d\u00favida recorrente \u00e9 a obrigatoriedade ou n\u00e3o de recolher contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Previd\u00eancia quando n\u00e3o h\u00e1 reconhecimento de v\u00ednculo de emprego. O Pleno do TST, inst\u00e2ncia m\u00e1xima da Justi\u00e7a trabalhista, reafirmou de forma vinculante que a resposta \u00e9 sim: mesmo nesses casos, as contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias devem ser recolhidas. Em outras palavras, ainda que o ajuste seja feito sem admitir o v\u00ednculo formal, permanece a obriga\u00e7\u00e3o de recolher valores \u00e0 Previd\u00eancia Social. Isso inclui situa\u00e7\u00f5es em que as parcelas s\u00e3o rotuladas como \u201cindenizat\u00f3rias\u201d, pois o que prevalece n\u00e3o \u00e9 a nomenclatura, mas a realidade: houve servi\u00e7o prestado e contrapresta\u00e7\u00e3o&nbsp;financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As al\u00edquotas aplic\u00e1veis s\u00e3o de 20% a cargo do tomador de servi\u00e7os e de 11% de responsabilidade do prestador, ambas calculadas sobre o valor total do acordo celebrado. A l\u00f3gica \u00e9 direta: sempre que houver presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e correspondente pagamento, a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria deve ser recolhida, independentemente de reconhecimento formal do v\u00ednculo de emprego. Esse entendimento tem fundamento na Lei n\u00ba 8.212\/1991, que disciplina a contribui\u00e7\u00e3o incidente sobre remunera\u00e7\u00f5es pagas a segurados contribuintes individuais, fixando exatamente as al\u00edquotas mencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a obrigatoriedade da contribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 estivesse reconhecida desde 2010, por meio da Orienta\u00e7\u00e3o Jurisprudencial n\u00ba 398 do TST, o tema continuou a gerar controv\u00e9rsia nas inst\u00e2ncias inferiores. A consolida\u00e7\u00e3o atual, ao tornar o entendimento vinculante, refor\u00e7a a necessidade de recolhimento, fortalece o sistema de seguridade social e assegura ao trabalhador o acesso a benef\u00edcios como aposentadoria e aux\u00edlio-doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a decis\u00e3o tamb\u00e9m traz reflexos pr\u00e1ticos relevantes para os empregadores, que passam a arcar com custos adicionais nos acordos. Esse cen\u00e1rio pode dificultar a celebra\u00e7\u00e3o de composi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que as partes ficam mais limitadas diante dos encargos. Com isso, reduz-se a margem de negocia\u00e7\u00e3o, diminui a atratividade e a efetiva\u00e7\u00e3o de acordos torna-se uma tarefa mais desafiadora no cotidiano da Justi\u00e7a do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial, agora reafirmada em car\u00e1ter vinculante, imp\u00f5e aos advogados o dever de orientar seus clientes com m\u00e1xima transpar\u00eancia sobre os encargos incidentes nos acordos e sobre o impacto financeiro que tais recolhimentos trar\u00e3o. Mais que um simples \u00f4nus, trata-se de uma medida que assegura previsibilidade, fortalece a seguran\u00e7a jur\u00eddica e contribui para a preven\u00e7\u00e3o de autua\u00e7\u00f5es fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>B\u00e1rbara Luiza Tavares Teodoro<\/strong> \u2013 Advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho. P\u00f3s-graduada em Governan\u00e7a Corporativa, Riscos e Compliance, e em Direito das Fam\u00edlias. Membro das Comiss\u00f5es de Direito e Processo do Trabalho e de Direitos Humanos da 48\u00aa Subse\u00e7\u00e3o da OAB\/MG. Contato: (37) 99906-8712 \u2013 @advbarbaratavarest \u2013 LinkedIn: barbaraluizatavares<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos acordos trabalhistas, uma d\u00favida recorrente \u00e9 a obrigatoriedade ou n\u00e3o de recolher contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Previd\u00eancia quando n\u00e3o h\u00e1 reconhecimento de v\u00ednculo de emprego. O Pleno do TST, inst\u00e2ncia m\u00e1xima da Justi\u00e7a trabalhista, reafirmou de forma vinculante que a resposta \u00e9 sim: mesmo nesses casos, as contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias devem ser recolhidas. 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