{"id":13940,"date":"2026-02-19T13:05:19","date_gmt":"2026-02-19T13:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/?p=13940"},"modified":"2026-02-19T13:05:19","modified_gmt":"2026-02-19T13:05:19","slug":"entendendo-como-a-mulher-pode-ser-resguardada-em-casos-de-violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/entendendo-como-a-mulher-pode-ser-resguardada-em-casos-de-violencia-domestica\/","title":{"rendered":"Entendendo como a mulher pode ser resguardada em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza-683x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13941\" srcset=\"https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza-200x300.jpeg 200w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza-720x1080.jpeg 720w, https:\/\/oabdivinopolis.org.br\/oab48\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Ana-Luiza.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher permanece como uma grave e recorrente viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos no Brasil. Apesar dos avan\u00e7os legislativos e institucionais, muitas v\u00edtimas ainda enfrentam grandes obst\u00e1culos para denunciar seus agressores, especialmente em raz\u00e3o da depend\u00eancia emocional e financeira que se estabelece dentro da rela\u00e7\u00e3o abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em in\u00fameros casos, a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica depende economicamente do agressor, o que gera medo de perder o sustento pr\u00f3prio e de seus filhos caso decida romper o v\u00ednculo e denunciar. Al\u00e9m disso, fatores como amea\u00e7as constantes, controle psicol\u00f3gico, manipula\u00e7\u00e3o emocional e o temor de retalia\u00e7\u00f5es dificultam o afastamento da v\u00edtima de sua rotina e do ambiente de viol\u00eancia. Essas circunst\u00e2ncias contribuem significativamente para a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos e para a perman\u00eancia da mulher em situa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas de risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do aumento expressivo dos \u00edndices de viol\u00eancia contra a mulher, o Poder Judici\u00e1rio passou a adotar interpreta\u00e7\u00f5es mais protetivas, com o objetivo de garantir maior seguran\u00e7a, dignidade e efetividade dos direitos das v\u00edtimas. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) firmaram entendimento no sentido de que mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, afastadas do trabalho por decis\u00e3o judicial, fazem jus ao recebimento do aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal posicionamento fundamenta-se na compreens\u00e3o de que, embora o afastamento n\u00e3o decorra de uma doen\u00e7a ocupacional tradicional, ele gera uma situa\u00e7\u00e3o de incapacidade tempor\u00e1ria equipar\u00e1vel ao aux\u00edlio-doen\u00e7a comum. Isso porque a viol\u00eancia sofrida compromete diretamente a integridade f\u00edsica, emocional e psicol\u00f3gica da v\u00edtima, impossibilitando-a de exercer suas atividades laborais de forma plena e segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei Maria da Penha (Lei n\u00ba 11.340\/2006), em seu artigo 22, inciso II, j\u00e1 previa a possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica pelo prazo de at\u00e9 seis meses, quando o afastamento do trabalho decorresse de medidas protetivas de urg\u00eancia. No entanto, a recente interpreta\u00e7\u00e3o do STF e do STJ ampliou essa prote\u00e7\u00e3o ao assegurar, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o do emprego, a cobertura previdenci\u00e1ria durante o per\u00edodo de afastamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com esse entendimento, nas situa\u00e7\u00f5es em que a v\u00edtima possui v\u00ednculo formal de emprego, o empregador permanece respons\u00e1vel pelo pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento, cabendo ao INSS o pagamento do aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria a partir do 16\u00ba dia. J\u00e1 para as seguradas que n\u00e3o possuem v\u00ednculo formal de trabalho, o benef\u00edcio deve ser pago diretamente pelo INSS desde o in\u00edcio da incapacidade, desde que preenchidos os requisitos legais de qualidade de segurada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa medida representa um importante avan\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o social das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, pois reduz um dos principais fatores que impedem a den\u00fancia: o medo da perda da subsist\u00eancia. Ao garantir uma fonte de renda durante o afastamento, o Estado oferece maior seguran\u00e7a para que a mulher possa romper o ciclo da viol\u00eancia, buscar prote\u00e7\u00e3o judicial e dar continuidade \u00e0s den\u00fancias e aos processos legais contra seus agressores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, o reconhecimento do direito ao aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria n\u00e3o apenas assegura a dignidade da v\u00edtima, mas tamb\u00e9m fortalece a efetividade das pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, incentivando mais mulheres a buscarem ajuda, apoio institucional e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, torna-se evidente que a atua\u00e7\u00e3o integrada entre o Poder Judici\u00e1rio, o sistema previdenci\u00e1rio e as pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher s\u00e3o fundamentais para a efetiva garantia de direitos e para o enfrentamento estrutural da viol\u00eancia dom\u00e9stica. A amplia\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o legal, ao reconhecer a incapacidade tempor\u00e1ria decorrente da viol\u00eancia sofrida, demonstra sensibilidade do ordenamento jur\u00eddico \u00e0 realidade vivenciada por milhares de mulheres, reafirmando o compromisso do Estado com a dignidade da pessoa humana, a igualdade de g\u00eanero e a prote\u00e7\u00e3o integral da v\u00edtima. Assim, assegurar meios materiais de subsist\u00eancia durante o afastamento n\u00e3o se configura apenas como medida assistencial, mas como instrumento essencial de justi\u00e7a social, autonomia feminina e rompimento definitivo do ciclo da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ana Luiza Mesquita \u2013 <\/strong>Advogada \u2013 OAB\/MG n\u00ba 246.801, Bacharel em Direito pela Universidade Professor Edson Vellano. P\u00f3s-graduada em Direito Civil e Processo Civil. P\u00f3s-graduanda em Direito de Fam\u00edlia e Sucess\u00f5es pela PUC\/MG. Fundadora do escrit\u00f3rio Ana Luiza Mesquita Advocacia e Consultoria Jur\u00eddica. Telefone: (37) 99808-0070 E-mail: analuizagontijoadv@gmail.com. Instagram: analuizamesqadv<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher permanece como uma grave e recorrente viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos no Brasil. Apesar dos avan\u00e7os legislativos e institucionais, muitas v\u00edtimas ainda enfrentam grandes obst\u00e1culos para denunciar seus agressores, especialmente em raz\u00e3o da depend\u00eancia emocional e financeira que se estabelece dentro da rela\u00e7\u00e3o abusiva. 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